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Por que às vezes a gente lembra mais da mesa que do mirante?

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Quem já viajou com a gente talvez termine de ler esse texto lembrando de alguém. Eu, escrevendo, lembrei de várias pessoas.
E de algumas mesas também.
Aquela hora em que todo mundo volta do passeio, toma um banho e senta pra comer. Vem a comidinha da comunidade, a conversa com quem preparou, alguém querendo saber o nome de um ingrediente. A fome era grande, mas, mesmo depois de satisfeita, a gente continua ali.
Tu provavelmente tem uma lembrança assim. De uma viagem nossa ou de qualquer outra. Um almoço que foi longe, um café na pousada, uma conversa que começou quando já era hora de dormir.
Se eu pedir uma foto, talvez tu nem tenha. Mas consegue me contar direitinho como foi.
Baseado em fatos e fotos reais 🤍
Daqui a pouco, o assunto já é outro
Não sei em que momento uma conversa sobre o passeio vira uma conversa sobre a vida. Mas vira.
Aparece uma mudança de trabalho, uma saudade, uma vontade que a pessoa ainda não sabe se vai ter coragem de levar adiante. Alguém conta que já passou por algo parecido. Outro escuta sem ter uma resposta, e a conversa continua mesmo assim.
Tem um alívio em poder terminar um pensamento sem ser interrompida por uma notificação. E em ouvir alguém com quem, fora dali, talvez a gente nunca tivesse sentado pra conversar.
Às vezes, uma história fica comigo porque é muito diferente da minha. Outras, porque eu poderia ter contado quase igual.
E, claro, em algum momento pode aparecer a história de um ex. Sempre tem, né? Quando a gente vê, até quem estava só ouvindo já quer saber como terminou. 😂
Eu amo essa mistura. A conversa pode ficar séria, alguém pode se emocionar, e logo depois todo mundo está rindo de uma coisa que nem vai ter tanta graça quando tentarmos contar em casa.
Aos poucos, a gente fica à vontade pra participar sem precisar ter uma grande história. Pode contar uma bobagem, fazer uma pergunta, dizer “eu também”.
Só eu tô achando que aqui foi bem a tal história do ex? 😂
Depois, a pousada tem nome e rosto
Antes de uma viagem, a gente olha as fotos do quarto, quer saber como é a hospedagem, onde vai dormir. Claro, faz parte.
Mas, quando tu lembra de um lugar em que foi muito bem recebida, é só do quarto que lembra?
Às vezes, vem primeiro o café da manhã. O cantinho onde gostava de sentar. A voz de quem chamava pra comer. Aquela comida que estava tão boa que tu quis saber como fazia, mesmo desconfiando que em casa não ia ficar igual.
Nas comunidades que nos recebem, gosto de ter tempo pra conhecer um pouco de quem está ali. Perguntar sobre um preparo, ouvir de quem aprendeu, entender como aquilo faz parte do cotidiano.
A pessoa também pergunta de onde viemos, como é a vida por lá. Uma coisa puxa a outra. Tem diferenças que rendem conversa, semelhanças que surpreendem e curiosidades dos dois lados.
A gente fica alguns dias. Quem nos recebe continua ali, vivendo uma vida muito maior do que o pedacinho que conhecemos. Gosto de lembrar disso quando sinto que ainda tenho tanto a perguntar.
Depois, quando falamos daquela pousada ou daquela comunidade, já temos pessoas em quem pensar. E, na hora de ir embora, temos de quem nos despedir.
Comida também conta onde a gente está 🥹
Talvez tu já esteja lembrando
Da pessoa que sentou ao teu lado. De uma comida que nunca mais encontrou igual. Daquela noite em que ficou conversando, mesmo sabendo que ia acordar cedo.
O lugar continua lindo na memória. Só que agora é difícil lembrar dele sem lembrar de tudo isso junto.
Olho uma foto da paisagem e lembro de uma conversa no caminho. Vejo a foto de uma mesa e sei quem estava fazendo todo mundo rir, mesmo que essa pessoa nem apareça. Algumas imagens estão tremidas, mal enquadradas. Mas a gente entende que não é sobre isso, né?
Quis abrir o blog com essas lembranças porque muita gente que vai ler faz parte delas. E porque quero escrever com mais calma sobre os lugares, as pessoas e as coisas que continuam me acompanhando depois que volto.
Talvez tu nem lembre mais o que foi servido naquele jantar. Mas lembra que estava bom, que ficou até tarde, que fazia tempo que não conversava daquele jeito.
Me conta: quando tu pensa numa viagem da qual sente saudade, quem aparece nela?
Ah, e obrigada por ficar até aqui. Te vejo na próxima.
Bora viver. 🤍

La conversación continúa
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